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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

28.06.08

Língua - Caetano Veloso

Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.



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  • Postado em 23:34:05

12.06.08

Por Ana Lu Pereira

" A realidade é subjetiva."

 "O jornalista faz a prática da teoria, e da teoria a prática de teorizar o mundo."

 "O jornalista entende o mundo do jeito que ele é através do que ele poderia ser "

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  • Postado em 15:28:33

05.06.08

Por Celso Unzelte

" No Jornalismo é como na  vida: existe o ideal e o possível."

"Ou se é Jornalista, ou se é verdadeiro."

  • criado por  aninhaps89 criado por aninhaps89
  • Postado em 20:34:06

A sobriedade de um riso solto

O ambiente não mostrava ares propícios a fins jornalísticos e a objetividade passava longe daquela sala que concentrava cerca de 30 pessoas a espera das palavras do homem que acabara de entrar pela porta.

O olhar gentil, os passos seguros e a voz macia ganhavam as feições de um quarentão enxuto que logo deu um boa tarde contagiante. Um cumprimento de quem está acostumado a dá-lo todos os dias a muitas pessoas conhecidas ou desconhecidas com a mesma naturalidade.

A palestra da vez: minha vida de padre. “Tirem suas dúvidas” propunha o homem, que vestia a tradicional camisa fechada até o pescoço com a talinha imprescindível aos homens de sua posição.

E foi por lá que ele começou se apresentando como Padre Oswaldo, ou ainda o Padre Gerolim, como é conhecido em sua cidade natal, Assis, no interior de São Paulo.

A fala mostrava sinais de conforto como se fosse a coisa mais corriqueira que estivesse fazendo.

O assunto prosseguiu até o burburinho começar quando ele revelou ser um palmeirense assíduo. A disputa entre torcidas é, certamente, universal. Ainda mais quando se trata de um membro de uma família italiana tradicional. O gosto por vinho e festas, quando coerentes com sua vocação, também são evidências dessa ascendência.

Sobre o pai deixou transparecer os traumas de uma infância e adolescência marcadas por um pai bêbado. Mas ao olhar sua expressão se vê uma demonstração de ter superado tudo de modo surpreendente.

Deixou o irmão no interior cuidando da mãe e veio a São Paulo tentar uma vida diferente, mas a idéia não era o sacerdócio. Fez o curso de Administração, o que hoje lhe proporciona cargos como a presidência do Centro Social do Brooklin e a criação do Portal Católico.

“Então, fiz Teologia e Filosofia e virei padre. Não foi por falta de mulher nem decepção amorosa” continua sua conversa. As carolas que confirmem essa teoria. Ele arranca sorrisos e suspiros por onde passa e a fama de bonitão se espalha nas comunidades em que chega.


A idéia de clérigo “quadradão” não faz parte das impressões que causa às pessoas ao seu redor. Apresenta-se inteligente, sereno e sensato, mas sempre com um ar de jovialidade e consciência de que ele é tão humano quanto qualquer um.

Quando perguntado sobre a questão do celibato e de sexo não ruboriza. Fala com a naturalidade dos homens e o preparo psicológico dos padres. Cumpre seus votos por vocação e não por obrigação, deixa isso bem claro mostrando ainda mais a sua paixão pelo que decidiu para sua vida.

As renúncias as quais é submetido não lhe causam aflição nem em suas palavras, nem em seus gestos que sempre se mostram precisos e sábios. Em seus sermões se coloca como amigo mais velho e não como tirano.

A seriedade é uma marca em qualquer padre e isso é fundamental a eles, mas ao fim de uma despedida amigável se ouve um pedido inesperado no mínimo. “Padre, dança a Dança do Siri!”, disse o menino sentado ao fundo. Quando todos esperavam uma negação e até mesmo um repreendimento veio uma resposta acompanhada de uma risada.“Como é isso? Alguém faz pra eu ver”. Então no celular tocou a tal dança e o que se via era um padre de lá pra cá não se agüentando de tanto rir um riso solto e descontraído.




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  • Postado em 20:25:25