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Lendo o Livro de Sonetos de Vinicius de Moraes, aqui estão alguns trechos (endereçados ou não):
"Sê... mínima e breve
A música do perfume
Não guarda ciúme."
** Ária para Assovio**
"Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amr é divino, e sentir calma...
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida."
**Soneto da Contrição**
"Ser simples como o grão de poesia
E íntimo como a melancolia"
** Quatro Sonetos de Meditação - I **
" Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme"
**Quatro Sonetos para Meditação - IV **
"Não te vira ferir o indiferente
Para lavar os olhos da impostura
De uma vida que cala e cosente?"
** Soneto a Otávio de Faria**
" Quem és, que transfigura as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?"
** Soneto ao Inverno**
"Por seres mais uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aentura
E menos que a constante namorada
[...]
Por não te possuir, tendo-te minha
Por só queres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura"
**Soneto de Quarta-feira de Cinzas**
"Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza."
**Soneto da Rosa**
"Amo-te tanto, meu amro...não cante
O humano coração com amis verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
[...]
Hei de morrer de amar mais do que pude"
** Soneto do Amor Total**
O filme do diretor Frank Capra que ganhou dois Oscar - de melhor filme e de melhor diretor - é de 1938, mas é atemporal em sua mensagem.
Todo o charme do preto e branco e a sensibilidade do diretor tornam o que poderia ser um clichê resumido na frase “caixão não tem gaveta” em uma comédia leve e agradável.
Recheado de mocinhos e vilões mostra com dualidade as famílias de um casal apaixonado. Ele é rico e vide-presidente da grande empresa de seu pai, ela a secretária dele.
Tony Kirby, interpretado por James Stewart, é o elo entre os esnobes e magnatas de sua família e seu núcleo social com Alice Sycamore (Jean Arthur), que vai uni-lo ao mundo humilde dos Vanderhof .
Anthony P. Kirby (Edward Arnold), o patriarca da Família Kirby, só pensa em negócios e dinheiro. Vê a sociedade como uma vida cheia de regras, convenções e etiqueta. È um personagem que se mantém firme as suas convicções até o final do filme quando descobre uma outra realidade bem mais colorida.
São duas visões de mundo completamente diferentes, enquanto os Kirby estão preocupados com sua fortuna, o fechamento de grandes negócios, peles e jóias.Os Vanderhof vivem o mundo a sua maneira, uma forma estranha para muitos.
A família de Alice é de uma pureza surpreendente. Vivem sob o lema “cada um tem que fazer o que gosta” como a chave para a felicidade. Eles aplicam o valor da simplicidade, da pureza, da amizade. A irmã sonha em ser bailarina e encanta a todos com seus docinhos e seu marido é um homem apaixonado. A mãe escreve peças de teatro o tempo inteiro ou pinta. O pai mexe com fogos de artifício.Há também o russo, professor de dança da irmã, que sempre aparece na hora do jantar e outros agregados, como o fabricante de brinquedos.
A grande figura dessa família é o avô, Martin Vanderhof (Lionel Barrymore), uma criatura cativante que é a base moral de toda a mensagem do filme. Ele que resolveu largar tudo, toda a chance de fazer fortuna para fazer o que gosta. Amado por todos, inclusive toda a vizinhança, que a enxerga como o grande avô, não desgruda de sua gaita tanto em momentos triste como felizes. Tem um amor incondicional pela neta a ponto de abandonar a casa que tanto ama para ir atrás dela.
Alice é o personagem que convive com o mundo ilusório de sua família e o mundo real e frio dos Kirby. É simples, doce e tem uma vitalidade incrível, porém talvez seja a única que realmente enxergue o mundo como ele é e pode ser.
Além do casal,o que une as duas famílias é a disputa pela casa dos Vanderhof, a única em doze quarteirões que falta para A.P. Kirby comprar para montar a sua fábrica. A estada da vizinhança no bairro também depende da vontade do avô de vender a casa. Essa que por mais dinheiro que se ofereça ou ameaça que se faça só é vendida quando Alice foge depois do escândalo que os jornais fazem após a prisão das duas famílias por atrapalhar o a ordem.
Elas foram presas no dia da apresentação das duas em um jantar,onde toda a farsa que Alice tinha montado sobre os Vanderhof cai quando os Kirby chegam no dia errado. Ocorrem diversas situações constrangedoras, mas que mostram como as pessoas realmente são.
O filme vai correndo e no final o que se vê é a união dos dois opostos, o amor prevalece por seu filho e A.P Kirby desiste de seu grande negócio, que geraria muito lucro a ele e prejuízo a muitos.
Alice e Tony fazem as pazes e os esnobes descobrem o gosto pelo simples e verdadeiro. Tudo acaba com os dois patriarcas tocando gaita e todos dançando o “Big Apple”.

Cartaz do filme que tem como título original You Can’t Take It With You e é roteiro adaptado para o cinema de uma peça de teatro com o mesmo nome.
O tema mais ouvido do momento, pelo menos para mim, são os 40 anos de uma data que fico marcada por sua efervecencia mundial: 1968.
Um ano de movimentos estudantis, mortes, injurias... ano de tentativas.
A Revolução Cultural chegou acompanhada da Sexual e da insistente Politica. Juntas levaram o mundo a uma Revoluçao Comportamental.
O que se obeteve foi um periodo de esrança caotica no meio de um mundo revirado.
Para onde foi o idealismo, a vontade de mudar o mundo? Para onde foi nosso interesse em experimentar o novo?
Os jovens de 68 ganharam ares miticos, os filhos que não queriam ser seus pais, de tudo transformaram nessa busca.
A Geraçao 68 transformou a Geraçao Coca-Cola em diet e choca.
E na musica mais emblematica desse momento,Geraldo Vandre conseguiu até falar de suas flores:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer."

Na foto, a Agencia Magnum mostra com primazia o espirito contagiante desse furor 68. A jovem que pede o fim do conflito EUA x Vietna.
Continuo minha leitura "1968: o ano que não terminou", de Zuenir Ventura, ótimo escritor que transforma um livro historico em quse um diario do clima da epoca, e minhas buscas musicais por ai.
De manhãzinha, ao esperar o ônibus passar pelo ponto, é curioso notar o número de pessoas, com jeitos, posses e, principalmente, universos diferentes.
Esses universos, que se espremem e se amarrotam, podem gerar estranheza ou cumplicidade, são percebidos através de cada objeto encontrado, cada detalhe, que ás vezes nem é notado fora de contexto.
Eu carrego minha mochila, meu relógio, minhas apostilas que gritam aos outros passageiros que sou uma estudante atrasada, assim que entro pela porta. O motorista me olha e seus óculos de sol refletem uma tentativa de estilo e, ao mesmo tempo, proteção.
Paro na frente por alguns instantes, as poltronas suplicam um descanso, é gente que não acaba mais, por entre barras de ferro e alças todos os agarram com força e segurança, afinal, é para isso que servem mesmo.
Passo o cartão, metido pela tecnologia que julga fornecer, e a catraca gira. Essa vive tonta, vira o tempo todo, ao menos que aquele espertinho, armado com aquele sorrisinho, passe por baixo, deixando a coitada para trás. O cobrador bate uma moedinha, tlin, e a porta se fecha.
Fico em pé e os objetos começam a me chamar para uma conversa minuciosa. Quinhentos chaveiros mostram a paixão por coleções da menina, o boné para o lado e a calça larga discutem as manobras do skatista. As correntes de prata torcem os elos para as caveiras pesadas que vibram aos solos do metaleiro quando em ensaio.
Sento-me, mas mantenho minha perspectiva. Passa arrastada a sandália de tiras de couro, certamente ela é o descanso de um nordestino trabalhador. O Nike Shox vem falando sobre as novidades do Paraguai.
Sobe uma senhora e com ela seus tamancos falantes, que não paravam de questionar as unhas com esmaltes descascados de quem trabalha pesado na faxina. E saltam aos olhos a bengala do velhinho, cansada por suportar o peso do pobre homem há tanto tempo.
A tatuagem de um Buda no braço do moço da frente acaba de informar que ele se mantém religioso. O crucifixo na corrente de outro, também reforça a idéia de fé. E a indumentária hindu se decepciona com o tênis de marca que faz seu conjunto no corpo de um rapaz.
Há aqueles que tentam se fechar em seu próprio mundo e os aparelhos de mp3 são seus grandes colaboradores. O olhar fica no vazio, da música se ouve apenas um ruído caótico e a pessoa flutua naquele ambiente. Esses aparelhos dizem apenas que querem distância e se calam depois.
Esse mundo de entrelinhas e de observação quebra as fronteiras da fala, da simpatia e até da antipatia necessárias para uma comunicação oral.
A cordinha é puxada e o sinal de fim da conversa soa. O ponto de destino chega, eu me despeço em silêncio, deixando todos aqueles elementos e entrando em um novo contexto. Pronta para um novo papo, que logo se estabelecerá.

São Paulo, a cidade do movimento, coração do Brasil e a cidade do exercicio da paciencia.
Essa nova rotina que foi "apresentada" a mim nessa ultima semana me mostrou uma coisa: sou paulistana de coraçao, amo a cidade, porem acho que nunca a enxerguei realmente,e falta muito ainda pra eu ter conhecimento de todas as suas dimensões.
O que mais me chamou a atençao foi o numero de filas...Parece ate que já nascemos enfileirados. A maternidade já nos coloca em filas para que nossos pais briguem por espaço para nos observar pelo vidro.
Seja para comer, para ir ao banheiro, para pegar o onibus e sair dele, para atravessar a rua, tudo s e move, ou nao, em torno desse principio basico. É uma confusão de pessoas, de serviços, de carros, de predios, todos por sua vez, perfilados.
Sao Paulo, o mundo das filas. e pensar que nas cidadezinhas do interior tres pessoas em linha reta que vao demorar dois minutinhos para fazer seu pedido já é considerado uma grande espera.Imagina esses felizes moradores ao se deparar com horas de espera, de senhas, de chamadas interminaveis?!
Bom, acho que agora já vou entrar na fila, certamente para alguma coisa eu vou precisar...