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O ambiente não mostrava ares propícios a fins jornalísticos e a objetividade passava longe daquela sala que concentrava cerca de 30 pessoas a espera das palavras do homem que acabara de entrar pela porta.
O olhar gentil, os passos seguros e a voz macia ganhavam as feições de um quarentão enxuto que logo deu um boa tarde contagiante. Um cumprimento de quem está acostumado a dá-lo todos os dias a muitas pessoas conhecidas ou desconhecidas com a mesma naturalidade.
A palestra da vez: minha vida de padre. “Tirem suas dúvidas” propunha o homem, que vestia a tradicional camisa fechada até o pescoço com a talinha imprescindível aos homens de sua posição.
E foi por lá que ele começou se apresentando como Padre Oswaldo, ou ainda o Padre Gerolim, como é conhecido em sua cidade natal, Assis, no interior de São Paulo.
A fala mostrava sinais de conforto como se fosse a coisa mais corriqueira que estivesse fazendo.
O assunto prosseguiu até o burburinho começar quando ele revelou ser um palmeirense assíduo. A disputa entre torcidas é, certamente, universal. Ainda mais quando se trata de um membro de uma família italiana tradicional. O gosto por vinho e festas, quando coerentes com sua vocação, também são evidências dessa ascendência.
Sobre o pai deixou transparecer os traumas de uma infância e adolescência marcadas por um pai bêbado. Mas ao olhar sua expressão se vê uma demonstração de ter superado tudo de modo surpreendente.
Deixou o irmão no interior cuidando da mãe e veio a São Paulo tentar uma vida diferente, mas a idéia não era o sacerdócio. Fez o curso de Administração, o que hoje lhe proporciona cargos como a presidência do Centro Social do Brooklin e a criação do Portal Católico.
“Então, fiz Teologia e Filosofia e virei padre. Não foi por falta de mulher nem decepção amorosa” continua sua conversa. As carolas que confirmem essa teoria. Ele arranca sorrisos e suspiros por onde passa e a fama de bonitão se espalha nas comunidades em que chega.
A idéia de clérigo “quadradão” não faz parte das impressões que causa às pessoas ao seu redor. Apresenta-se inteligente, sereno e sensato, mas sempre com um ar de jovialidade e consciência de que ele é tão humano quanto qualquer um.
Quando perguntado sobre a questão do celibato e de sexo não ruboriza. Fala com a naturalidade dos homens e o preparo psicológico dos padres. Cumpre seus votos por vocação e não por obrigação, deixa isso bem claro mostrando ainda mais a sua paixão pelo que decidiu para sua vida.
As renúncias as quais é submetido não lhe causam aflição nem em suas palavras, nem em seus gestos que sempre se mostram precisos e sábios. Em seus sermões se coloca como amigo mais velho e não como tirano.
A seriedade é uma marca em qualquer padre e isso é fundamental a eles, mas ao fim de uma despedida amigável se ouve um pedido inesperado no mínimo. “Padre, dança a Dança do Siri!”, disse o menino sentado ao fundo. Quando todos esperavam uma negação e até mesmo um repreendimento veio uma resposta acompanhada de uma risada.“Como é isso? Alguém faz pra eu ver”. Então no celular tocou a tal dança e o que se via era um padre de lá pra cá não se agüentando de tanto rir um riso solto e descontraído.

criado por aninhaps89
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